segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick


Considerado, quase unanimemente, como um dos gurus da ficção científica distópica, ou seja, um misto de ficção científica e distopia, Philip K. Dick foi um autor controverso que escreveu dezenas de obras num tom provocador, criando, em quase todas elas, uma realidade alternativa e misturando factos científicos que, há data, eram únicos no contexto literário.
Pessoalmente era um autor que há muito tinha referenciado e este “O Homem do Castelo Alto” um livro, considerado por muitos como uma das suas maiores obras, que estava na minha lista e, honestamente, fiquei com um misto de sensações que dificilmente consigo exprimir.
Ou seja, não vou aqui dizer que adorei o livro, não, não adorei. No entanto também não desgostei e prova disso é que não desisti da sua leitura, empreendendo essa tarefa até ao fim, sendo que o seu epílogo me deixou com uma sensação de vazio por estar à espera de uma obra melhor.
Primeiro, a edição que possuo, conta um extenso ensaio de Nuno Rogeiro (é logo um terço do volume) sobre o autor e a sua obra. Dessa forma, situa-nos e consegue dar-nos uma perspetiva da obra geral do autor e mais importante, da sua intenção e densidade psicológica e social. Assim, compreendemos que o autor teve sempre um objectivo bem definido em cada obra escrita, em simultâneo, percebemos que a presente obra não é de todo a mais representativa do autor.
Em o “Homem do Castelo Alto”, obra efectivamente distópica que chega a roçar a sátira, os Estados Unidos e seus aliados perderam a 2ª Guerra Mundial e os nazis dividiram o planeta com os japoneses. Se por um lado isso é-nos logo dito, ficamos também a saber que logo depois do fim da guerra, os nazis trataram de dizimar os povos em África, transformando aquele continente num deserto. Mas vai muito mais longe, explica, até de forma muito coerente, ou seja, é uma “realidade” que poderia ter sido perfeitamente possível, do porquê dos aliados terem perdido a guerra, do porquê da URSS ter ruido em 1941 e da exterminação dos povos. Ou seja, uma realidade alternativa que poderia ter sido a real caso os alemães tivessem vencido o conflito de 1939-1945.
Em todo este cenário arrepiante, eis que um livro, escrito pelo Homem do castelo Alto, uma personagem misteriosa e solitária, descreve um mundo onde quem venceu foi os aliados e de como o mundo poderia ser e somos assim confrontados com duas realidades diametralmente opostas.
Achei a obra muito interessante pela forma realista como o autor conseguiu criar essa realidade paralela e que, se não fossem alguns “acasos”, poderia ser mesmo a nossa realidade, mas confesso que o livro me foi aborrecendo à medida que ia desbravando a suas folhas sem que, mesmo assim, tivesse desistido porque queria saber como tudo iria acabar.
Não desgostei mas também não foi daquelas distopias que me fascinaram e que um dia irei reler.
Aconselhável para quem gosta do género e quem tenha curiosidade em conhecer uma alternativa muito bem criada, à nossa realidade que, efetivamente, só foi possível devido à vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial.



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